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COLUNA DO SIDNEI

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      ROMÁRIO PODE SEGUIR OS PASSOS DE DUNGA

A estréia de Romário como “técnico” nesta semana dirigindo o time do Vasco da Gama pela Copa Sul-americana, me faz pensar em duas coisas. Primeiro que a equipe de Eurico Miranda só teve um objetivo neste ano: trabalhar em favor do Baixinho. Segundo, a efetivação de Dunga como comandante da Seleção Brasileira, sem ter passado por qualquer outra equipe ou feito uma especialização para a nova função, pode ser um precedente perigoso.

Romário: sofrendo como treinador

A equipe da Cruz de Malta, a bel-prazer do seu presidente, serviu-se apenas no propósito de ajudar o ex-atacante a conseguir atingir o milésimo gol. É muito pouco para um clube com tanta história e tradição. Pergunte a qualquer vascaíno o que eles preferem. Ver o Vasco campeão ou o Baixinho alcançar os 1000 gols? A resposta certamente será o título. Nada tenho contra a história do camisa 11 que é sem dúvida um dos melhores do Mundo em todos os tempos, mas um clube como o Vasco não pode viver apenas dos objetivos pessoais de um único jogador – e o que é pior – com o aval do seu presidente. Até porque, diferentemente de Romário, Roberto Dinamite só jogou pelo Vasco e fez muito mais pelo clube e hoje é tratado como persona non grata pelo comandante do clube.

Essa situação em que se encontra o time da Colina é fruto de tudo que vem ocorrendo ultimamente, sendo vítima de um dirigente que se acha dono do clube. Cabe lembrá-lo que o Vasco da Gama é muito maior do que ele, Romário ou qualquer outro. É uma pena que hoje o objetivo do clube não seja mais ganhar campeonatos, alegrar e orgulhar seus torcedores, mas sim ser um refém dos desejos pessoais de seu presidente.

A situação vivida pelo clube cruz-maltino pode ser um reflexo do atual momento da Seleção Nacional, em que o presidente da CBF escolheu Dunga para o cargo técnico sem que ele tivesse passado por qualquer time. O ex-capitão do tetra não fez nada na função que justificasse ser escolhido para o principal posto dentro do futebol brasileiro. Ora, se para comandar a equipe mais estrelada do Planeta o que, em tese, exigiria do postulante que ao menos tivesse um currículo de longa história no cargo não é mais um item obrigatório, que dirá nos clubes com os dirigentes jurássicos e amadores que nós possuímos.

Dunga, mesmo sem dirigir nenhum clube, chegou a seleção

O que acontece é que essa atitude da CBF pode virar moda pelo país afora e assim qualquer (ex) jogador que tenha uma amizade com um presidente de clube pode virar um treinador do dia para a noite, sem nem ter se preparado para tal. Se a profissão de técnico de futebol no Brasil já é a mais frágil, pois qualquer mal resultado a culpa é sempre dele, pode se transformar também num posto em que qualquer um poderá ser intitulado de “professor”.

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Sidnei Tarcisio dos Santos, é aluno de Jornalismo
do Centro Universitário Radial em São Paulo.
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Dê sua opinião, escreva para ele: sidneitarcisio@gmail.com
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