O
Brasil já possui mais de 500 anos de história, já passou
por duas monarquias, e por décadas de ditadura até
alcançarmos a atual democracia. Hoje somos livres para
elegermos nossos representantes e cobrá-los para que
façam valer os nossos direitos como cidadãos. Por que no
esporte nacional isto ainda não ocorre?
Ainda
hoje em pleno século XXI somos obrigados a ver (e
conviver) com pessoas que simplesmente acham-se donas de
clubes, federações e confederações nas mais variadas
modalidades esportivas do país, tornando-se verdadeiros
“posseiros” destas entidades – ou porque não dizer
monarcas.
Nos
últimos dias tivemos mais um exemplo claro do
continuísmo exercido por essas pessoas em nosso esporte,
Ricardo Teixeira foi reeleito para mais um mandato
frente à CBF. Será o sexto mandato consecutivo e que irá
conduzi-lo a completar 25 anos no poder, mesmo após
enfrentar duas CPIs.
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Ricardo Teixeira: 25 anos no poder do nosso
futebol |
No
futebol temos outros casos de dirigentes que se
perpetuam em suas posições, são os casos de Alberto
Dualib, no Corinthians e Eurico Miranda, no Vasco.
Dualib já está a 14 anos como presidente do clube
paulista e mesmo após dezenas de irregularidades na
administração e um processo por lavagem de dinheiro na
justiça continua tentando manter-se no cargo. Porém,
desta vez parece que Conselho Deliberativo do clube
resolveu deixar de fazer vistas grossas aos desmandos do
dirigente e ao que tudo indica irá afastá-lo. No Vasco a
situação também é bastante parecida, pois, Eurico está
na presidência do clube a mais de 10 anos, e mesmo após
as últimas eleições terem sido canceladas por suspeita
de fraude, ele continua a dar as cartas no clube
Carioca.
O
curioso em toda esta situação é que estas pessoas fazem
seu poder perpetuar sob conivência de seus conselhos e
associados ( no caso dos clubes ) e de clubes e
federações ( no caso da CBF ). Sabemos que no caso dos
clubes os conselheiros, em boa parte, são indicados pelo
presidente e que votam por ele, mas até que ponto estas
pessoas têm que permanecer de olhos fechados para os
desmandos de seus dirigentes a ponto de deixarem que
seus clubes cheguem perto da falência e desmoralização
total? A afirmação que ouço de muitos torcedores dizendo
que os conselheiros de seus clubes são torcedores de
outros times parece ter razão, pois somente um torcedor
de um time adversário gostaria de ver seu rival em
situação tão vexatória.
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Dualib e Eurico: eternos comandantes de seus
clubes |
Já no
caso da CBF existe uma clara falsidade na posição dos
presidentes de clubes e federações. Para a imprensa eles
dizem que o futebol brasileiro está falido, que os
clubes estão com o “pires na mão” e que modelo do
futebol nacional precisa ser mudado. Agora quando têm a
chance de mudar toda essa situação votando pela
renovação do poder, escolhem deixar tudo como está.
Afinal, para eles está tudo bem desta forma, ainda mais
agora que o Governo Federal resolveu premiá-los com a
criação da Timemania, loteria que só tem um único
objetivo: Premiar a incapacidade administrativa dessas
pessoas.
A
continuar assim, o futebol e o esporte nacional
demorarão muito tempo para mudar e sair dessa situação
que me lembra as aulas de história na escola em que
falavamos das chamadas “Capitanias Hereditárias”.