Agosto é um mês muito
especial para o Guarani, de Campinas. No dia
13 deste mês, em 1978, o ‘bugre’ ergueu seu
mais importante troféu e o Brasil teve seu
primeiro campeão nacional vindo do interior.
Para falar um pouco daquela épica conquista
que esta completando 30 anos, batemos um
papo com Careca, o jovem centroavante de 17
anos que incendiou aquele Brasileirão e se
tornaria um dos melhores camisas ‘9’ que o
país já teve. Confira!
O título brasileiro de 1978
vencido pelo Guarani está completando 30
anos. Quais as principais lembranças daquela
conquista?
O inicio foi muito difícil, a
equipe era desconhecida, mas com uma união
que prevaleceu, era um grupo de jogadores
até então sem muito nome, mas que tinham a
disposição de se doar. Isso foi mais
marcante para mim.
Impressiona como o treinador
Carlos Alberto Silva conseguiu mentalizar
uma equipe pequena do interior para ganhar
um campeonato nacional.
Exatamente, a equipe se
fechou com ele. Jogadores, técnico,
diretoria, a cidade, todos tinham o
interesse em ganhar. Acreditamos muito que
era possível. Ele também era desconhecido,
mas conseguiu mentalizar os jogadores com
sua filosofia e levar o grupo as vitórias.
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O atacante vibra com o gol do título
de 1978 |
Você entrou como titular pela
primeira vez no clássico contra a Ponte
Preta onde você marcou os gols da vitória
por 2 a 1. Você tinha 17 anos e o Guarani
não ganhava o derby campineiro há três anos
(desde 75). Tremeu antes do jogo?
A expectativa era muito
grande, muito comentário na semana que
antecedeu aquela partida, então, eu tinha
aquele ‘frio na barriga’, não tremedeira. A
partir do momento que o juiz apita, isso
acaba e você só pensa em fazer o melhor.
Você jogou 20 anos com uma
regularidade e uma média de gols fabulosa
(0,5 gols por jogo contando Guarani, São
Paulo, Napoli e seleção). Qual foi o seu
segredo para ter uma média de gols tão boa
ao longo da carreira?
Eu não era um atacante
‘fominha’ e tinha bom relacionamento no
plantel. Eu tinha facilidade para marcar
gols, mas sempre sabia servir meus
companheiros no momento certo. Essa
simplicidade de querer o bem da equipe fez
toda a diferença para contar com o apoio dos
companheiros. Até mesmo no Napoli, tive
ótima relação com Maradona, todos dizem que
existe rivalidade entre brasileiros e
argentinos, mas não é tão radical assim. A
amizade e o sucesso em campo que tive com
Diego é prova disso.
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Com Giordano a esquerda e Maradona a
direita, no Napoli |
Quais as principais
diferenças entre o futebol italiano dos anos
80, que você jogou, e o atual, que você
observa?
Na minha época já era de alto
nível e havia mais talentos individuais.
Hoje aumentou a força, a potencia física e
tem mais estrangeiros. Basicamente a
diferença é essa.
Nome:
Antônio de Oliveira Filho
Data de Nascimento:
05 de outubro, 1960, em Araraquara/SP.
Clubes:
Guarani (1978 a 1982), São
Paulo (1983 a 1987), Napoli–ITA (1987 a
1993),
Kashiwa Reysol –JAP (1993 a 1996), Santos
(1997) e São José/RS (1999).
Títulos:
Campeão Brasileiro (1978 e 1986), Brasileiro
da Série B (1981), Paulista (1985),
Copa da Itália (1987), Italiano (1987 e
1990), Copa UEFA (1989), Supercopa da Itália
(1990) e
da Copa América pela Seleção Brasileira
(1989).