Ele foi uma das grandes
‘coqueluches’ do Flamengo nos anos 90 e
ganhou três vezes a badalada Champions
League. Hoje, aos 34 anos, Sávio correu
atrás da bola pela Desportiva, do Espírito
Santo, no Capixabão 2008. Com o fim de seu
contrato, o ‘anjo loiro da Gávea’ está com
sua situação indefinida, mas garante. “Ainda
me sinto bem, não voltei para parar”.
Orgulhoso de suas conquistas, responde
sempre com foco nas taças que faturou.
Confira os principais trechos onde
repassamos toda sua carreira.
Sobre os cinco anos que você
passou na residência que o Flamengo tinha
para garotos que vieram de fora do Rio de
Janeiro. Quais as principais lembranças e
como você, ainda menino, superou a saudade?
Foi uma fase difícil. Deixei minha família
com 14 anos para realizar esse sonho.
A saudade dos meus pais foi o maior
obstáculo e naqueles cinco anos aprendi
muita coisa como disciplina, companheirismo
e amizade. Sou grato a todas as pessoas que
me ajudaram, e não foram poucas, da
cozinheira até a Assistente social dentro da
concentração e todos no clube também. Alguns
nomes vão estar sempre no meu coração como
‘Seu’ Neca, ‘Seu’ Mineiro, Mestre Dida,
Carlinhos, Júnior, entre outros.
Foi Júnior quem confiou em
você e te levou para os profissionais em
definitivo, não?
O Junior foi uma pessoa muito importante pra
mim. A transição dos juniores para o
profissional é difícil e ele conversava e me
dizia que meu momento ia chegar.
Quando você explodiu nos
profissionais, quais os conselhos mais
freqüentes que o Zico te dava?
Ele estava no Japão, mas os que tive foram
sempre positivos, era um espelho para mim,
meu ídolo dentro e fora do campo.
Acha que a vaidade foi o
maior motivo do trio Sávio-Edmundo-Romário
não ter funcionado?Uma
equipe não ganha por nomes e sim por
companheirismo e muito trabalho. A qualidade
é indispensável, mas sem esses dois itens
não há vitória.
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O famoso ataque dos sonhos, com
Romário e Edmundo, que não deu certo |
Muitos jogadores afirmam que
uma das dificuldades de se jogar no Flamengo
é a arrogância dos ‘prata da casa’ que se
acham ‘donos do pedaço’ e desrespeitam os
que chegam. Acontece muito disso na Gávea?
Isso não existe. O Flamengo é muito grande,
uma nação e quem chega tem que estar
preparado para vestir a camisa.
Certa vez o Ronaldo disse
que, se fosse possível, ficaria horas
ouvindo o Zagallo, pois ele acha o ‘velho
lobo’ um livro de 3 mil páginas. Quais
recordações você tem dele?
Foi quem me deu a primeira oportunidade na
seleção. Tem muita experiência, sabe motivar
e sempre tinha o grupo na mão.
Depois do titulo carioca de
96, o Flamengo caiu muito de produção até
sua saída do clube, no final de 97. Acha que
esse período que o Fla esteve em baixa
(96/97), foi a principal razão de você ter
perdido espaço na seleção?
O primeiro semestre de 1996 foi muito bom,
ganhamos o Campeonato Carioca invicto e a
Copa Ouro contra o São Paulo. Depois das
Olimpíadas de Atlanta, não sei por que não
fui mais convocado...
Você teve uma chance com
Vanderley Luxemburgo contra o Uruguai, em
2000, pelas Eliminatórias. Jogando no
Maracanã e vivendo um bom momento, porquê
não conseguiu fazer um grande jogo e
‘agarrar’ a oportunidade?
Eu fui para esse jogo tentando fazer meu
melhor, mas às vezes não estamos em um bom
dia, como toda a seleção naquele jogo.
Quais foram as principais
dificuldades na adaptação a Madrid e ao
futebol espanhol?
No Começo o frio e o idioma, pois cheguei no
inverno. Me adaptei muito rápido, foi uma
experiência maravilhosa, um grande momento
na minha carreira.
Antes da final do Mundial
interclubes 98 contra o Vasco, Ivan Campo
agrediu Seedorf nos treinamentos. O clima
estava ruim no clube antes daquela final,
não?
O time vinha de três derrotas no Espanhol,
mas nos fechamos na final e conseguimos o
titulo.
Porquê um fora-de-série como
Anelka fracassou em Madrid? Boicote para
proteger Raúl?
Não acredito que tenha fracassado, pois na
temporada que jogou conseguimos ganhar a
Champions League, em 2000. Ele passou por
dificuldades de adaptação, mas terminou bem
a temporada.
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Sávio na breve passagem pelo Real
Madrid |
Entre os técnicos Heynckes,
Hiddink e Del Bosque, qual deles tinha mais
confiança em você e te dava condições para
render o máximo em Madrid?
São três bons treinadores e todos me deram
confiança, O Heynckes foi quando eu cheguei
ao Real Madrid e ganhamos a ‘Champions’, em
98. O Hiddink era um treinador que dava mais
liberdade ao jogador e ganhamos o Mundial
interclubes, em 98. O Del Bosque era um
treinador da casa que conhecia muito bem os
jogadores e ganhamos com ele duas
‘Champions’, em 2000 e 2002. Além do
Espanhol, em 2001.
Zinedine Zidane foi o melhor
jogador com quem você atuou lado a lado?
Sim. Para mim um ‘Gênio’ dentro de campo,
com ‘G’ maiúsculo, e uma pessoa maravilhosa
fora do dele.
Sua experiência no futebol francês foi
positiva?
É um futebol muito corrido e de muita força,
menos técnico que o espanhol. Foi uma
experiência maravilhosa.
Você foi protagonista do bom
time que o Zaragoza montou entre 2003 e
2006. Ninguém esperava que uma equipe recém
promovida jogasse um futebol tão eficiente e
ganhasse títulos. Qual era o segredo do
sucesso?
Acho que foi um dos meus melhores momento no
futebol, os três anos de Zaragoza. Tínhamos
um bom time, com união, raça e fizemos
história no clube.
Como foram seus dias em San
Sebastián e o que faltou para salvar o Real
Sociedad? O time era muito ruim?
Acredito que mesmo indo para a 2ª divisão,
foi uma das experiências mais ricas que vivi
no futebol. Joguei meia temporada e fui
artilheiro do time, a situação quando
cheguei era ruim e mesmo assim quase
salvamos.
O Levante é uma bagunça, não?
Muitos problemas, em todos os sentidos.
Salários atrasados, má administração, falta
de estrutura...
Quais as grandes amizades que
você fez no futebol?
Nélio é uma pessoa que gosto muito, era meu
grande companheiro no Flamengo. Existem
outros jogadores que guardo ainda uma boa
relação como Bruno Quadros, que esta no
Japão, Hugo, na Holanda, Juan, da Roma,
Rogers e Regis, meus companheiros em toda a
trajetória no Flamengo desde amador, entre
outros..
No futuro veremos um Sávio
dirigente ou treinador?
Empresário, não só em relação ao futebol,
mas em geral. Acho que aprendi muita coisa,
principalmente nesses 10 anos de Europa como
cultura, idiomas e varias outras coisas
importantes. Mas não digo que nunca serei
treinador...
Nome:
Sávio Bortolini Pimentel
Data de Nascimento:
9 de janeiro de 1974, Vila Velha, Espírito
Santo.
Clubes:
Flamengo (de 1993 a 1999);
Real Madrid-ESP (1999 a 2003); Bordeaux-FRA
(2003/2004); Zaragoza-ESP (2004 a 2007);
Flamengo (2007); Real Sociedad (2008);
Levante-ESP (2008); Desportiva (2008)